ArrowThorn – Parte III: Verdades Desenterradas

Escrito por:
David Franklin

Claw era o melhor do time de basquete de uniforme azul-marinho, correndo na quadra como se não fosse humano, a bola em sua mão, passando pelos seus adversários de forma impressionante. Mesmo que houvesse cartazes com seu nome e vozes o chamando animadamente, ele parecia profundamente imerso no jogo. Aquela era a reta final, o grande momento que coroaria a nossa escola como campear do campeonato daquele ano. Havia sido muito acirrado, mas Claw, Big, Anuch, Mork e eu havíamos dado o nosso melhor para este momento, e não era surpresa para ninguém que Claw é que o encerraria gloriosamente.

Assim que a bola arremessada por suas mãos habilidosas entrou na cesta, o ginásio explodiu em gritos animados e confetes coloridos. Fui levado pela multidão que havia invadido o local para comemorar, Claw havia sido erguido no ar por muitas mãos e estava comemorando. Tentei me manter firme em um lugar e bati palmas, a verdade é que mesmo que fizesse parte daquilo não me sentia à vontade com tantas pessoas assim por perto.

Big, Anuch e Mork estavam comemorando ali perto, a equipe adversária estava reunida em um espaço menos lotado, conversando entre si. Voltei a prestar atenção a Claw no ar, mas não era mais o menino feliz, agora estava um pouco mais velho, e suas roupas de basquete haviam sido substituídas por um terno preto, e seu sorriso luminoso havia dado lugar aquele afiado que eu conhecia.

Acordei tão de repente que senti minha cabeça girar por alguns segundos, estava ofegante e com o coração acelerado. Minha pele estava fria de suor e os cobertores haviam se enrolado em minhas pernas de forma incomoda. Enquanto me livrava dos lençóis percebi que ainda era noite, pois a luz da lua entrava pela janela a minha esquerda, que eu havia esquecido de fechar, seguido por uma brisa fria. Me curvei para o parapeito da janela e olhei a rua que estava silenciosa. O único movimento ali era de um gato preto que havia saído debaixo de um carro e estava entrando em um beco.

O que diabos havia sido esse sonho, uma lembrança ou eu havia ficado impressionado demais com a revelação de Big? Claw e Arrow eram a mesma pessoa, como eu não percebi isso assim que o vi no bar? Era verdade que não reparava muito nele na escola, mas eu fazia isso com todo mundo, estava mais preocupado com os estudos, pois se eu tivesse notas baixas acabaria perdendo a bolsa e as mensalidades daquele colégio não eram baratas.

Mesmo que ele gostasse de mim e eu não tivesse reparado nele, porque tanta raiva de mim? A não ser que ele achasse que eu o ignorasse de proposito, provavelmente achasse que eu soubesse de seus sentimentos por mim? Balancei a cabeça negativamente sem querer acreditar nesta teoria. Talvez Big só estivesse brincando comigo, não tinha como o Sr. Arrow gostar de mim.

E se eu o confrontasse? Poderia muito bem fazer isso no dia seguinte. Não, talvez ele tentasse me jogar de uma das janelas, ou mandasse os seus homens me darem uma surra, qualquer coisa para se livrar de mim. Mas, eu não podia deixar essa situação se prolongar por mais tempo, aquele guarda-costas de merda havia mostrado a sua maldita arma para Jonas e eu, o que significava que seu chefe permitia coisa violentas em certos momentos, não é?

No dia seguinte, enquanto o maldito elevador lento subia, decidi que iria abordar o Sr. Arrow para descobrir mais sobre a raiva dele por mim, claro que não falaria diretamente e eu também não sabia como iria falar com ele, mas iria fazer um esforço.

O Sr. Earth ainda não havia chegado, então aproveitei para ligar o ar-condicionado da sua sala e da minha e fui checar a Central de Marketing, uma sala ampla com paredes de vidro, uma mesa com 24 assentos, geralmente sua superfície abarrotada de papeis, estava prestes a voltar para a minha sala quando os seguranças fizeram aquela pose de sentido e eu já sabia que era, em menos de um minuto a tropa de guarda-costas surgiu pela escada rolante e o Sr. Arrow surgiu entre eles.

Minha mão parou na maçaneta em choque. Vê-lo agora, depois de ouvir aquelas coisas de Big e ter aquele sonho, era chocante. O Sr. Arrow estava usando um termo azul-marinho… a cor do uniforme no… a cor do seu uniforme de basquete na escola! A surpresa foi tão grande que esqueci que estava segurando a porta e quando dei um passo para trás o vidro retiniu de forma assustadora. Todos olharam surpresos para mim, o Sr. Arrow parecia segurar uma risada e meu rosto estava ficando quente. Ele foi para a sua sala e eu entrei na minha, pois já havia passado por vergonha o bastante. Me joguei em minha cadeira e girei lentamente enquanto encarava o teto plano.

Encarar o Sr. Arrow agora era extremamente difícil, mas será que a raiva dele era por causa de um desentendimento? Ele gostava de mim e eu vivia focado em outra coisa, se vermos toda a situação de longe poderia parecer que eu estava rejeitando seus sentimentos. Mas ele nunca me disse nada ou demostrou, certo? Agora minha mente estava vasculhando cada momento da minha vida escolar em busca de algo que provasse os sentimentos dele por mim.

Quando eu estava envolvido com o basquete sempre saímos em turma, as vezes ficava grande demais porque alguns colegas levavam suas namoradas e namorados junto, então analisei cada lembrança que eu conseguia. Houve uma vez, em um restaurante em que ele sentou do meu lado e conversamos sobre filmes e livros, não lembro como o assunto havia começado, mas ficamos isolados do restante da conversa da mesa. Também houve a vez em que nos encontramos no parque Lumpini, eu estava passeando com o cachorro da vizinha que havia viajado e me deixado com este dever e ele estava correndo. Também treinamos algumas vezes quando chegávamos antes de toda a equipe, ele era realmente bom e rápido e muitas vezes eu acabava caindo e ele vinha me socorrer.

Agora que eu estava vasculhando minhas antigas lembranças tudo vinha com clareza, como se, em algum momento, eu tivesse decidido guardar tudo e fingir que não existia, mas elas sempre estiveram lá no fundo.

— Thorn? Thorn! — A voz do Sr. Earth me fez ter um sobressalto e quase cair da cadeira, pisquei confuso para o rapaz parado na minha frente — O que deu em você, Thorn?

Minha cabeça estava doendo um pouco, por isso me estiquei na cadeira para pensar em uma resposta adequada.

— Bom dia, Sr. Earth. — Essa não era uma boa resposta, mas torcia para o rapaz parado na minha frente deixasse isso para lá.

— Bom dia. Venha até minha sala, por favor.

Me levantei prontamente e o segui, não queria levar uma bronca porque estava jogado na cadeira pensando no passado. Pensando no irmão mais velho dele, isso seria constrangedor de falar.

— Quero que revise estes relatórios e depois leve-os para meu irmão, tudo bem? Deve entregar isso apenas ao meu irmão, a ninguém mais. Thorn, isso é muito importante, entendeu? — Assenti pegando o bloco de papéis.

Na verdade, eu sempre estava revisando os relatórios do Sr. Earth, e tinha de concertar 95% deles.

— E outra coisa, fiquei sabendo que esbarrou com meu irmão em um restaurante e as coisas ficaram feias. — Franzi a testa, o Sr. Arrow não parecia o tipo de pessoa que contaria sobre isso para o irmão mais novo e o Sr. Earth parecia ter compreendido minha confusão pois falou — Não importa como fiquei sabendo, meu irmão não precisa me falar as coisas para eu saber sobre elas, mas quero que tenha cuidado, entendeu?

Pousei os relatórios na mesa, se ele queria falar sobre aqui então que era eu para fugir? Talvez ele até pudesse me ajudar com isso.

— Fiquei sabendo que… — Mordi o lábio inferior, será que era seguro falar sobre isso com o irmão mais novo do Sr. Arrow? Ele não repassaria minhas perguntas para seu irmão? Mas se ele fizesse isso também não seria ruim, certo? Eu realmente estava confuso com tudo isso —, a gente estudou junto por um tempo, fiquei sabendo a pouco tempo.

O Sr. Earth assentiu lentamente e olhou fixamente para mim.

— E vocês com certeza não se davam bem?

— Aparentemente não, eu não lembro muito dele, acho que minhas prioridades sempre foram os estudos e acabei negligenciando todos aqueles que queriam ser meus amigos. Talvez seu irmão tenha ficado com raiva de mim por causa de um… — Ok, eu precisava pensar bem no que iria dizer, não podia dizer para ele que o irmão dele provavelmente me odiava porque gostava de mim e eu não o correspondi, eu nem sabia se isso era verdade mesmo. E se tudo não passasse de alguma brincadeira de Big ou um mal entendido? Se eu falasse isso poderia me envolver em uma grande confusão — por causa de uma confusão de informações.

— Isso explicaria porque ele te odeia tanto — Eu sabia disso, mas ouvir isso tão diretamente machucava, aquele maluco sentado na minha frente não tinha noção de nada! — Quer que eu fale com ele sobre isso? — Balancei a cabeça negativamente varias vezes, aquilo seria o fim do mundo para mim — Você quer falar com ele sobre isso? — Fiz o mesmo movimento com cabeça.

— Melhor deixarmos para lá, senhor. — Falei enquanto pegava os relatórios e dava passos apressados para trás, o que fez minha perna bater no sofá e cai sentado no braço do mesmo — Ah! Desculpe, desculpe, desculpe. Deixe isso para lá, por favor. — Abri a porta, escorreguei para fora e fechei com força.

A verdade era que eu sentia fortemente agora que estava seguindo por um caminho sem volta.

Assim que terminei de revisar os relatórios me estiquei na cadeira, a coluna doendo e os olhos ardendo, pensei em entrar na sala do Sr. Earth e informar que estava de saída para entregar os relatórios ao seu irmão, mas estava com tanto medo dele tocar no assunto de mais cedo que decidi apenas sair, afinal de contar foi ele quem me passou essa tarefa, certo? Ele saberia onde eu estava.

Sai da sala e encarei o corredor principal, o sol do meio-dia incidia pela claraboia de vidro e fazia tudo ali dentro cintilar como em um sonho, os seguranças permaneciam em suas posições como estatuas vivas, pude ver um grupo da equipe de marketing descendo as escadas, carregando uma pilha de rolos de papel e pastas coloridas. Empurrei a porta da sala do Sr. Arrow e dei de cara com seu secretário. March Rungrueang era um rapaz mais baixo que eu, extremamente magro e de olhos severos como os de um gato, assim que entrei na sala ele me recebeu como sempre fazia: com total frieza e um olhar que dizia que eu não era bem vindo naquele espaço decorado com paredes vermelhas e sofá de couro preto.

— O que você quer aqui? — Ele indagou enquanto parava de digitar em seu computador e me lançava o olhar afiado familiar. Aquele idiota se achava demais mesmo.

— Trouxe os relatórios do Sr. Earth para o seu chefe.

— Quais relatórios? — Ele estendeu as mãos de dedos longos e ossudos que mais pareciam as garras de uma ave maldosa.

Apertei a pilha de papeis contra o peito.

— O Sr. Earth disse que devo entregar pessoalmente ao seu chefe, a ninguém mais.

March se levantou lentamente de sua cadeira, se fosse algum animal ele certamente seria um leão pronto para atacar a qualquer momento.

— Acha que vou incomodar o meu chefe com as coisas do seu chefe?

— Eles são iguais, não é? São da mesma família. — Dei de ombros.

Claro que não são! O Sr. Arrow é o futuro desta empresa e de todos os negócios da família Pravatdaw, enquanto o seu querido chefe não passa de um estorvo. O Sr. Arrow precisa concertar os erros dele aqui dentro o tempo todo, como se o próprio Sr. Arrow não tivesse mais o que fazer! — O seu discurso apaixonado me deu vontade de vomitar.

— Não me faça perder tempo, ok? Meu almoço está me esperando, então vamos logo acabar com isso, vou entrar.

Dei um passo em direção a porta preta, mas o merdinha a bloqueou com o próprio corpo.

— Mas que maldição! Saía daí! Estou apenas cumprindo ordens!

Minha vontade mesmo que jogar aqueles papeis na cara irritante do outro, não queria ver o Sr. Arrow agora, se eu havia ficado abalado apenas em velo de longe mais cedo, como seria falar com ele? Mas o estagio era importante e eu precisava cumprir as ordens a risca.

— Se não me disser onde o seu querido chefe foi, eu…

— Sem brigas aqui! — Um dos seguranças havia aberto a porta e colocado a cabeça para dentro — O Sr. Arrow não permite brigas em seu escritório.

— Eu só estou cumprindo ordens e querendo entregar esses relatórios para ele!

— Quem mandou você? — O homem me olhou desconfiado.

— Secretário do Sr. Earth. — Respondi dando as costas aos merdinha e encarando o segurança.

— Muito bem, ouvi o Sr. Arrow dizer que estava esperando esses papeis, e você sabia disso, March. — Olhei feio para o secretario, aquele bastardo sabia que eu viria! — Ele está no subsolo, pode encontra-lo lá.

— No estacionamento? — Indaguei confuso.

— Não, abaixo disso, na quadra de basquete no subsolo.

— No subsolo deste prédio? É sério?

— Claro que é e vá logo, ele espera esses papeis.

Encontrar o Sr. Arrow em uma quadra de basquete não era o que eu precisava naquele momento, mas quem disse que as coisas sempre acontecem a nosso favor? Enquanto descia pelo elevador terrivelmente lento fiquei pensando em como aquilo parecia uma piada do universo, o Sr. Arrow havia comprado um andar do estacionamento subterrâneo para fazer uma quadra de basquete particular, junto com uma piscina e um campo de minigolfe, segundo o segurança, que se diga de passagem era o mais legal de todos ali, o Sr. Arrow havia construído aquele espaço para relaxar porque ele passava mais tempo naquele prédio do que em casa.

As portas do elevador se abriram ruidosamente e sai em um corredor, do lado esquerdo e direito haviam portas duplas, nenhuma delas com placas de sinalização, apenas números gigantes adesivados. Precisei abrir uma por uma e contemplar os ambientes grandes e luxuosos até encontrar a porta que estava procurando.

A porta branca com um grande adesivo de 8 vermelho levava para o alto de uma pequena arquibancada que dava voltas em uma quadra de basquete novinha no centro. Havia o costumeiro batalhão de guarda-costas postados ali no alto, precisei explicar o que estava fazendo ali e mostrar os relatórios para me deixarem descer a escada até a quadra, onde o Sr. Arrow estava jogando sozinho.

Cada passo meu em sua direção fazia meu coração bater mais acelerado, apertei os papeis com mais força, correndo o risco de me cortar. Ele estava usando um uniforme de basquete vermelho, mas era como vê-lo jogar na escola. Ele ainda era rápido e não errava nenhuma vez. Ver ele daquele jeito desbloqueou lembranças que durante todo o meu curso na universidade eu não lembrei nenhuma vez.

Na minha mente passou uma cena de apenas nos dois em uma sorveteria, da gente caminhando em um parque de noite, jogando basquete juntos, então lembranças embaçadas de fogos de artificio e…

— Cuidado!

O impacto no meu rosto me fez largar os papeis e cair de bunda no chão, a dor subindo pelas costas e descendo pelas pernas estendidas. De repente eu estava encarando um Sr. Arrow chocado, ajoelhado na minha frente e falando algo, a dor havia dado lugar a uma dormência esquisita. Senti uma mão no meu ombro e balancei a cabeça para tentar por os pensamentos em ordem e me focar.

— Está se sentindo melhor? — A voz do Sr. Arrow surgiu de repente.

— Sim, eu… O que aconteceu?

— Não vi você, acertei seu rosto com a bola — Ele indicou a bola parada a uma distancia curta da gente — Como se sente? Precisa ir para a enfermaria.

— Estou bem. — Ver o homem que me odiava se preocupando comigo era chocante.

— Você precisa ir.

— Não, preciso apenas entregar esses papéis. — Me estiquei para reunir todos rapidamente, ainda bem que as paginas estavam enumeradas — O seu irmão me pediu para traze-los apenas para o senhor, por isso vim para cá.

— Você é muito desastrado, sabia? — Ele estalou a língua e o olhar impaciente estava ali novamente — Pode deixar isso em cima do banco, eu pego depois.

Levantei desajeitadamente enquanto ele se afastava de mim e pegava a bola, começou a caminhar para o centro da quadra como se eu não estivesse mais ali. Que babaca!

— Você ainda joga muito bem. — Falei enquanto deixava os papeis no banco e caminhava lentamente até ele, eu realmente não sabia se aquele era o momento ideal, talvez nunca houvesse um. Só sei que ele parou imediatamente o que estava fazendo, parecia uma estatua agora — Não sabia que gostava tanto de basquete ao ponto de mandar construir esse lugar enorme para jogar.

Ele virou lentamente, parecia mais como naquelas cenas de filmes de terror em que a entidade se parece com alguém conhecido da vítima, mas seu rosto é totalmente desfigurado. O rosto do Sr. Arrow ainda continuava bonito, mas ver a surpresa ali era assustador, pois ele sempre parecia decidido.

— O que disse?

— Você ouviu, eu lembro de você do colégio agora. Claro que você tinha… Aí! — Ele jogou a bola contra mim tão rápido que quase acerta meu rosto novamente, tive de segura-la rapidamente, o impacto fazendo meus braços tremerem — O que diabos deu em você?

Seus guarda-costas estavam descendo as escadas lentamente agora, atentos a nossa conversa, provavelmente eu não deveria estar tão perto do rapaz chocado a minha frente.

— Você me confundiu com outra pessoa.

— Não mesmo, você era Claw, do time de basquete. Jogamos juntos algumas vezes, eu não o reconheci a principio porque eu enterrei essas lembranças bem fundo na mente enquanto abria espaço para os estudos, sabe? — Se ele sabia ou não, nada foi dito. Ele continuava me encarando como se estivesse vendo um fantasma — Olha, se ficou chateado porque não me lembrei de você, eu…

— Saia daqui. — Ele ordenou, sua voz ficou tremula e isso me deixou extremamente preocupado, o que diabos eu havia feito? Com certeza aquele não era o momento certo.

— Eu juro que não queria…

Eu mandei sair daqui! — Seu grito ecoou por todos os lados, os seus homens se adiantaram mais apressadamente agora. Joguei a bola aos seus pés e me afastei.

Passei pelos grandalhões mal-encarados e subir a escada correndo e quase me joguei para as portas duplas onde permaneci alguns minutos escorado.

Se o Sr. Arrow gostou de mim no colégio ou não, eu não sabia. Mas sabia que agora que ele me odiava de verdade.

ArrowThorn – Parte II: O Passado Confuso

A voz alta estava carregada de rispidez, e foi tão repentina que me assustou. Olhei espantado para o lado e meus olhos ficaram mais arregalados, meu rosto formigou e meu coração acelerou. Era o mesmo rapaz do Calisto, que havia chegado com uma tropa de guarda-costas, e que havia caído em cima de mim na escada e indo embora sem sequer agradecer. A sua tropa de homens de preto estava chegando com ele, e este usava um belo terno preto.