ArrowThorn – Parte II: O Passado Confuso

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Ficha Técnica
Escrito por: David Franklin

A Lotus ArPrav Beautiful ficava em um prédio com salas comerciais, com faixada de vidro e tão alto que era impossível ver seu topo, o sol refletindo, como se ele fosse todo feito de fogo. No grande saguão de piso de mármore, grandes vasos e moveis caros, uma recepcionista fez uma série de perguntas antes me dar um crachá temporário de visitante, segundo ela eu ganharia um permanente caso fosse contratado. Ela indicou os elevadores e eu fiquei esperando, me sentindo uma figura deslocada diante de homens e mulheres vestidos com roupas tão caras.  

Quando o elevador chegou, uma caixa espelhada com uma pequena tela no topo passando propagandas sem parar, me espremi no canto, pois o meu andar era ao penúltimo (A Lotus ArPrav Beautiful ocupava o penúltimo e último andar inteiros!). Todos naquele espaço pequeno estavam me lançando olhares hostis, se houvesse uma forma de eles me jogarem no poço do elevador, certamente o fariam.  

Mas por que diabos, em um prédio tão luxuoso como aquele, o elevador era tão lento? 

Decidi verificar minhas mensagens no Line, meus amigos haviam enviado mensagens de boa sorte e encorajamento, eu os agradeci e fiquei rolando as mensagens do grupo da minha turma da faculdade, eles estavam marcando de sair para beber naquela noite, mas eu certamente não estava no animo naquele momento, talvez mais tarde.  

À medida que o elevador subia, e pode acreditar, isso levou um bom tempo, ele ia ficando mais vazio, até que cheguei ao meu destino, enfiei o celular no bolso da calça com força e sai para um saguão circular e simples, de paredes brancas, com portas duplas de vidro que se abriram automaticamente para mim, segui por um corredor com quadros dos dois lados, todos eles mostravam homens e mulheres velhos pintados à óleo, provavelmente os fundadores daquele império luxuoso. O corredor acaba em uma grande recepção com paredes vermelhas e um balcão todo de mármore brilhante, duas jovens estavam sentadas ali, uma atendendo um telefone e a outra anotando algo em uma prancheta que ela entregou a um rapaz de macacão azul. Logo atrás delas havia um grande brasão com as iniciais AP entrelaçadas, iluminado por trás.  

— Bem-vindo a Lotus ArPriv Beautiful, em que posso ajudar? — Indagou a moça que havia despachado o rapaz de macacão.  

— Bom dia, sou Somboonsuchat Virotesuchin, sou o estagiário de administração que vai começar… 

— Um momento, por favor. — A garota cortou minha fala e começou a falar com alguém em um telefone preto. 

Enquanto ela falava ao telefone fiquei observando dois homens e uma mulher carregando caixas pretas e lacradas com o mesmo brasão detrás do balcão estampado nas laterais, eles conversavam em sussurros, um deles passou o crachá em um leitor digital ao lado de um par de portas de vidro a direita e elas se abriram com um clique e eles seguiram por um corredor comprido, de um lado havia portas brancas e do outro uma parede de vidro que tinha uma bela vista. 

— Por aqui. — A mulher havia se levantado e contornado o balcão, eu a segui pelo lado contrário das portas de vidro, por um corredor largo com portas pretas de um lado de parede de vidro do outro, a vista era deslumbrante e aterrorizante ao mesmo tempo — É o seu primeiro dia, então vou deixar algumas coisas claras para você, tudo bem? — Assenti enquanto ela caminhava alguns passos à frente, seus saltos fazendo barulho no piso preto — Você será o secretario temporário do senhor Earth Pravatdaw, que está assumindo hoje o cargo de gerente da equipe de marketing — Ela tirou o crachá que estava preso na blusa e passou no leitor ao lado da porta no final do corredor e a abriu, entramos em outro corredor comprido, mas esse dava uma volta, como se estivéssemos passando pela lateral do prédio —, o andar da equipe de marketing é o último, que agora é perto das salas da gerência, pois eles vão ficar de olho neste setor, que é extremamente importante para a empresa. Estou levando você agora para a sala de segurança, onde sua biometria será registrada, assim como o número do seu crachá, depois disso terá acesso a qualquer andar da empresa, mas deve acessar apenas aqueles que são importantes para seu trabalho, entendeu? — Assenti veemente, o que era tolice, pois ela não podia ver. 

Ela indicou uma porta que dava em uma sala ampla com várias mesas cheias de computadores, havia uma tela gigante no final da sala, onde dois homens de preto olhavam fixamente. A tela era dividida em outras telas menores, cada uma mostrando uma parte da empresa, nas telas pelos computadores em volta havia registros de portas destrancadas com os números dos crachás e fotos. 

— Ah! Um novato! — Exclamou um homem baixo de rosto redondo quando a mulher pediu para fazer meu cadastro, nos cumprimentamos com um Wai rapido antes dele se virar para seu computador — Coloque seu dedo aqui… muito bem! Agora deixe-me ver o número do seu crachá, qual o seu nome, data de nascimento e endereço? — Passei todas as informações me sentindo uma formiga em meio a gigantes, por que tudo aquilo? O que diabos eles queriam esconder ali dentro? Ou melhor, o que eles queriam proteger? Aquele sistema de segurança era digno de bancos! — Pronto, registrado, vou usar essa foto que foi enviada pela universidade, tudo bem? — Assenti, pois com o frio na barriga que eu estava não me importava com foto alguma — Pronto, você está liberado, peço que faça uma tentativa em um dos scanners ao sair daqui. Tenha um bom dia! Ah! Senhorita Pong, a flecha chegará em breve. 

Eu não sei o que aquilo significava, mas a Srta. Pong arregalou os olhos e assentiu, saímos da sala e voltamos para a recepção, onde testei meu crachá pela primeira vez na porta preta. 

— Agora você pode seguir por aquelas portas, — Ela indicou o par de portas de vidro a minha direita — siga até o final do corredor que você vai achar o Saguão, qualquer dúvida pode vir aqui e perguntar, tenha um ótimo primeiro dia. — Então, dando o assunto como encerrado ela baixou a cabeça para o seu computador. 

Eu estava muito nervoso, aquele lugar era grandioso demais para a minha realidade simples, tive dificuldade em passar o cartão no leitor e quando a porta abriu achei que o som havia sido mais alto, mas eu sabia que era apenas o nervosismo, passei pelas portas e encarei o corredor comprido com um aroma doce e artificial, talvez fosse o cheiro de algum produto deles. Segui pelo corredor com o piso tão liso que a minha mente idiota começou a imaginar o que aconteceria se eu escorregasse. No final do corredor virei à esquerda, e meu queixo caiu. 

O Saguão mais parecia um shopping center. Ele era circular, conectado ao andar de cima por escadas rolantes e um elevador de vidro, havia uma exagerada fonte de pedra branca bem no centro, havia sofás e poltronas de couro preto por toda parte, em um espaço amplo, com paredes de vidro, havia o refeitório, com mesinhas redondas de madeira preta, sofás de couro e um balcão com o letreiro neon de um restaurante. O grande brasão que eu estava começando a desconfiar pertencer a família Pravatdaw estava estampado em todos os lugares, como um tipo de propaganda maluca. E para completar todo aquele exagero arquitetônico, o telhado acima do Saguão era de vidro.  

— Isso é demais! — Me empolguei enquanto seguia para a escada rolante que levava para cima. Eu iria trabalhar naquele lugar tão chique e bonito! Precisava aprender a me acostumar com tudo aquilo. 

Lá em cima havia salas pequenas e grandes, todas feitas com paredes de vidro, mas algumas delas haviam sido revestidas por um plástico fosco, o que só permitia a visão de vultos lá dentro. Segui adiante por um corredor largo com salas, logo acima uma placa maior informava pertencer as salas da gerência, cada porta com uma plaquinha indicando há quem pertencia: Arrow Pravatdaw, Sala de Reunião 01, Sala de Descanso, Sala de Reunião 02, Earth Pravatdaw. No final deste corredor havia uma porta grande que dava para uma sacada incrível, acima de mim havia duas bandeiras vermelhas com o brasão dourado, tremulando com o vento dos ar-condicionado. Percebi que havia seguranças parados, de costas paras as colunas que dividiam as salas, todos imóveis e de preto. 

— Earth Pravatdaw se encontrar? — Perguntei ao segurança que estava do lado da porta do homem para quem eu trabalharia, mas o mesmo sequer se moveu — Ei! Estou falando com você — Ele continuou imóvel — Tudo bem, obrigado. 

Dessa vez ele olhou para mim, exibi um sorriso amigável para ele. 

— Pode responder à minha pergunta? 

— Não estou aqui para responder perguntas. — Ele respondeu rispidamente antes de voltar a olhar vagamente para frente, como seus colegas. 

— Ah, você é tão idiota. 

O homem não me respondeu, pois naquele momento os rádios de comunicação de todos os seguranças chiaram e uma voz robótica falou em todos eles: “A flecha chegou”. Lembrei do que o homem na sala de segurança havia falado. O que diabos era aquela flecha? E porque todos os seguranças estavam com as colunas retas e as cabeças abaixadas, como se estivesse reverenciando alguém?  

— O que diabos é isso? — Indaguei para o homem, mas ele não respondeu — Tudo bem, vou entrar — Toquei a maçaneta comprida da porta. 

— Ei! O que pensa que está fazendo?  

A voz alta estava carregada de rispidez, e foi tão repentina que me assustou. Olhei espantado para o lado e meus olhos ficaram mais arregalados, meu rosto formigou e meu coração acelerou. Era o mesmo rapaz do Calisto, que havia chegado com uma tropa de guarda-costas, e que havia caído em cima de mim na escada e indo embora sem sequer agradecer. A sua tropa de homens de preto estava chegando com ele, e este usava um belo terno preto.  

— O que pensa que está fazendo? — Ele indagou novamente, havia uma acidez em seu olhar que me fez desviar para o lado. 

— Eu vou entrar? — Eu estava confuso e nervoso, por isso minha resposta saiu como uma pergunta, tirei a mão da maçaneta. 

— E por que entraria aí? Aliás, o que faz aqui? — Ele esticou a mão e pegou meu crachá, então os cantos de sua boca tremeram — Onde pegou isso? Quem o deixou entrar? — Suas perguntas saíram tão altas que sua voz ecoou, provavelmente todos no Saguão haviam escutado. Ótimo primeiro dia para mim!  

— Que barulheira toda é essa? — Outro rapaz surgiu em meio ao mar de guarda-costas, ele era mais alto que o rapaz que ainda segurava meu crachá, ele era assustadoramente bonito e forte, dentro de um terno azul-marinho — Ah, irmão, deveria saber que era você — Ele cumprimentou o rapaz arrogante com um wai e então se virou para mim — Irmão, por que está com a mão em meu secretário? 

— Seu secretário? Como pode permitir isso? — O rapaz parecia mais histérico agora, e eu estava pensando se deveria tentar puxar meu crachá de sua mão, pois estava começando a fazer meu pescoço doer. 

— P’Arrow, não acha que está exagerando? — O Sr. Earth ergueu as sobrancelhas. 

Então aquele lunático era seu irmão mais novo? Claro, isso explicava todo o seu jeito esnobe, com uma empresa daquele tamanho e a fortuna que ele deveria ter o idiota devia ser achar melhor do que todo mundo, isso era realmente muito irritante.  

— Exagerando? Acha mesmo? — O Sr. Arrow estava com os olhos arregalados, parecia mais lunático — Ele não serve para estar nesta empresa, contrate outro! — Ele me largou com violência, o crachá bateu meu queixo. 

—Ei! — Exclamei irritado enquanto massageava o local atingido — O que eu fiz pra você? 

— Não se faça de santo! — Ele vociferou, fiquei surpreso com sua reação, assim como todos ali, os seguranças estavam cochichando entre si agora. 

— Ei, vamos nos acalmar, entendeu? — O Sr. Earth pegou o irmão pelos ombros — Venha comigo. E você, me espere na minha sala — Ele mandou e eu abriu a porta a porta de vidro rapidamente, feliz por sair daquele momento embaraçoso. 

Fique encostado na porta respirando fundo. O que havia acontecido com aquele lunático? Como podiam deixá-lo trabalhar ali?  

— Vai esperar que eu pergunte o que acabou de acontecer? — Meu irmão, N’Earth indagou após alguns minutos de silencio. 

Estávamos em minha sala, e desde que entramos ali eu não havia parado de andar de um lado para o outro, a irritação ainda fervendo dentro de mim. Como aquele maldito bastardo ousava entrar aqui? Ele achava mesmo que eu ficaria calado depois de vê-lo na minha empresa? Nunca

— Você já viu meu secretário antes? — Ele indagou quando percebeu que eu não falaria. 

— Não importa se o conheço ou não, eu quero ele fora daqui imediatamente! — Esbravejei, a raiva queimando em cada palavra minha. 

— Desculpe irmão, mas não posso fazer isso, preciso ter alguém me ajudando, e ele é extremamente qualificado. 

— Você não sabe disso, foi a mãe que o selecionou, não foi?  

— Sim, ele havia aberto uma seleção para estagiário muito antes de falar comigo sobre assumir um cargo aqui — Meu irmão sorriu, isso me deixou mais furioso, não bastava ter de lidar com ele ali dentro, sem saber o que fazer, e agora tinha seu secretário! — Ela é esperta. 

— Eu não estou nem ai! Ponha-o para fora, eu consigo outro pra você! — Me sentei em um dos sofás de couro preto e respirei fundo, meu coração parecia pronto para sair pela boca a qualquer momento.  

— Não vou fazer isso sem um bom motivo, ele é um estagiário, o que vou dizer no contrato? — Ele indagou incerto. 

Olhei surpreso para ele, achava que meu irmão mais novo sequer saberia o que é um contrato de estágio.  

— Qualquer coisa, mas ele não pode ficar aqui. 

— Eu preciso de um bom motivo para despedi-lo, me entregue um e eu farei isso — Ele se levantou e lhe lancei um olhar fulminante, como ele ousava ir contra mim? — É o meu primeiro dia aqui, por que não me ajuda com coisas mais importantes? Além do mais, se a mãe ficar sabendo sobre isso ela vai fazer perguntas e você não quer isso, certo? — Não o respondi, a única coisa que eu gostaria de fazer agora era abrir uma dessas janelas e jogá-lo — Vamos lá, seja mais animado, o que eu devo fazer? 

Coloquei as mãos no rosto. Eu estava perdido, iria ter de lidar com dois idiotas ao mesmo tempo! 

Fiquei o que pareceu horas esperando o meu novo chefe aparecer em sua sala, acessada por uma pequena recepção onde devia ser o meu lugar, poisa havia uma mesa, uma poltrona de couro preto e um sofá, entrei na sala dele porque o ar-condicionado na recepção não estava ligado. O local era quadrado, com uma vista de tirar o folego de Bangkok, moveis caros e um tapete preto, me sentei em um sofá bege enquanto esperava e analisei com cuidado a estante com troféus esportivos, não havia nada relacionado a prêmios acadêmicos, tudo era voltado aos esportes, até mesmo um quadro do próprio Earth Pravatdaw usando roupas de futebol, com um troféu na mão e um sorriso orgulhoso. 

A porta abriu de repente e eu saltei do sofá. O Sr. Earth, tão bonito quanto no grande quadro, entrou na sala. 

— Sr. Earth eu… 

— Esta tudo bem agora. — Ele me tranquilizou dando um sorriso bonito, foi para sua mesa e se sentou — Pode sentar-se. Então, de onde conhece meu irmão? 

— Eu não o conheço — Respondi imediatamente e a lembrança dele caindo na escada veio em minha mente, o seu olhar surpreso e a forma como ele se foi sem sequer agradecer —, bem eu o vi ontem à noite no Calisto, mas não nos falamos. 

— Nada que possa ter feito ele ficar com tanta raiva? — Balancei a cabeça negativamente, não havíamos nos falando. 

— Tudo bem, acredito em você. Bem, não vou demitir você só porque meu irmão surtou sem motivo aparente, talvez seja apenas o trabalho. — Dei um sorriso de desculpas pois eu realmente não estava entendo aquilo tudo, eu só queria cumprir meu estágio perfeitamente, e ter um lunático que parecia pronto para me destruir não ajudaria muito — Eu vi suas informações hoje de manhã cedo, fiquei impressionado, nunca fui muito de estudar, sabe?  

Assenti sem compreender de fato, certo de que a empresa era da família dele, mas como permitiram que ele trabalhasse em um cargo tão importante?  

— Ótimo, o que devo fazer agora? Perguntei ao meu irmão, mas ele está muito irritado para me responder qualquer coisa. 

— Como assim? — Pisquei confuso. 

— Eu quero saber qual a minha função e como ela se entrelaça com a sua função.  

Fiquei imóvel e em choque. O infeliz continuava me encarando com um sorriso bonito, como se toda aquela situação fosse normal.  

— Mas o senhor é o chefe — Destaquei lentamente, tinha medo de ofendê-lo, mas algo me dizia que se eu fizesse isso ele nem perceberia —, o senhor é que deve me dizer o que fazer. 

Ele assentiu lentamente e seu sorriso confiante se tornou um sorriso bobo, como se estivesse envergonhado, eu esperava muito que ele não estivesse se sentido magoado com minhas palavras, mesmo que fossem verdade.  

— Verdade. Você pode ir para sua mesa agora, quando precisar eu chamo. — Ele então sacou o celular do bolso da calça e começou a mexer nele. 

Sai da sala muito agradecido por aquilo ter acabado e meu estágio estar a salvo, mesmo que eu tivesse de ter muito cuidado para não cruzar com o caminho do Sr. Arrow, que por algum motivo me odiava. 

Será que ele havia agido daquela forma porque o impedi de cair na noite passada? Não podia ser, as pessoas geralmente se sentiam agradecidas! Por que ele estava agindo como um bastardo mimado?  

Em uma gaveta na minha mesa encontrei o controle do ar-condicionado, nas outros gavetas havia blocos de papeis, pastas, cadernos e um notebook, com um papel em cima indicando que aquele era meu material de trabalho, que poderia ser levado para casa quando necessário, também havia uma instrução detalhada de como fazer login com a conta que já havia sido criada pela equipe de segurança de sistemas da empresa.  

Em uma pasta do computador havia um arquivo com nome e foto de todos os funcionários da equipe de marketing, em outra encontrei o projeto em que eles estavam trabalhando recentemente, era a divulgação de um novo produto de cuidados noturnos com a pele, logo abaixo, bem no cantinho, o valor que havia sido investido naquela campanha. 

— Que merda! — Exclamei surpreso diante dos números. 

— Ei! Aqui não é sua casa, controle sua boca!  

Um frio esquisito passou por todo o meu corpo e meu coração acelerou com o susto. Olhei lentamente para cima, não queria acreditar que aquela voz era a causadora dos meus atuais problemas. Mas era ele sim, havia entrado na sala sem eu ouvir, talvez porque eu estivesse tão chocado com o orçamento de uma campanha. Sua expressão era mortal, seus olhos indicavam que ele queria muito me ver morto. 

— Desculpe. — Sussurrei — Seu irmão está na sala dele. 

— Por acaso eu perguntei por ele? Que tipo de secretario é você que entrega a localização do seu chefe tão facilmente?  

Dei um sorriso envergonhado, ele infelizmente tinha toda razão, mas eu era novo nisso! Precisava ir com calma! 

— Mas você é irmão dele — Tentei me explicar. 

— Não importa! Onde está meu irmão? — Ele ergueu as sobrancelhas de forma desafiadora para mim. Francamente, aquilo iria ser terrivelmente cansativo! 

— Na sala dele? — Indiquei a porta com cuidado, eu estava muito em dúvida da minha resposta agora, aquilo era um teste? Aquele merdinha tinha poder para demitir o funcionário do seu irmão? 

Ele balançou a cabeça e soltou um som de frustração, era como se minha presença fosse algo terrível demais para ele aceitar. No entanto, para meu alívio, ele apenas passou por mim e abriu a porta e a fechou com força, provocando um som muito alto na recepção pequena. 

Não quero que ninguém me julgue, mas eu coloquei o ouvido na parede e na porta para tentar ouvir a conversa dele, eu não tenho costume de fazer isso! Mas eu sentia que o Sr. Arrow estava falando de mim para seu irmão e aquilo poderia custar meu estágio. No entanto, a parede e a porta eram grossas demais, talvez fossem feitas para ser a prova de som.  

Se eu achava que a situação com o Sr.Arrow melhoraria, eu estava terrivelmente enganado. Ele não estava mais gritando comigo, o que era um ponto positivo, mas estava claramente disposto a me ver longe de sua empresa. O Sr. Earth, que não parecia saber nem os dias da semana, havia me pedido para marcar uma reunião com toda a equipe de marketing, que foi um fiasco, pois as palavras de encorajamento dele não faziam o menor sentido e todos pareciam ter mais consciência da presença silenciosa do Sr. Arrow do que a do irmão mais novo. Durante a reunião ele havia me advertido duas vezes; uma por causa da minha postura e a segunda porque não inclinei a cabeça em reverencia quando ele se retirou da enorme sala de reunião. Ah, se ele soubesse que a minha vontade era mostrar o dedo do meio para ele! Mas a única coisa que fiz foi pedir desculpas e fazer uma reverencia enquanto ele se retirada. 

Durante a semana seguinte as coisas permaneceram as mesmas, o Sr. Arrow parecia me analisar atentamente quando nos encontrávamos nos corredores da empresa, como se estivesse procurando algo para reclamar, e seu irmão mais novo não parecia saber o que estava fazendo, ele passava a maior parte do seu dia em sua sala, quando eu entrava para oferecer algo para ele comer ou beber via que ele estava jogando no computador da empresa. Meus dias eram resumidos em ficar na minha mesa sem fazer absolutamente nada, as vezes falava com meus amigos pelo Line para passar o tempo. De algo forma essa rotina estava começando a me deixar estressado.  

— Você é quem deveria dizer o que ele deve fazer. — Jonas falou de forma brincalhona quando terminei de falar sobre meu problema com os jovens Pravatdaw.  

Havíamos marcado de sair para comer em um restaurante de comida japonesa perto da universidade. Jonas e eu havíamos chegado na hora, mas Swan estava atrasado como sempre, pelo menos havia enviado uma mensagem de texto informando que estava preso em uma aula. Eu havia escolhido aquele lugar porque sua iluminação era suave e suas paredes pintadas de um vermelho escuro e dourado, o que ajudava a acalmar meus olhos que doíam por causa da iluminação forte e as paredes coloridas do meu trabalho. 

— Não sei dizer se ele saberia se eu estivesse mandando nele ou não — Suspirei derrotado e me afundei mais na cadeira. 

— Tudo isso é novidade para ele, não é? — Assenti — Também foi a primeira semana de trabalho dele, talvez as coisas melhorem na segunda-feira.  

Escolhi acreditar nas palavras do meu amigo, eram mais reconfortantes, pois se o Sr. Earth de fato não soubesse qual era sua função dentro da empresa eu estava realmente encrencado, pois isso também acabaria sujando a minha imagem e poderia deixar o Sr. Arrow mais furioso comigo. 

— Desculpem a demora, vim correndo — Swan sentou-se ao lado de Jonas, estava ofegante e suas bochechas vermelhas. 

— Tudo bem, não foi porque você quis. — Jonas sorriu para ele e recebeu outro em volta. 

Aqueles dois certamente estavam ficando mais evidentes a cada dia, eu não sabia por que eles estavam escondendo o que quer que estivessem fazendo pelas minhas costas, mas eu iria respeitar o espaço deles.  

— Boa noite, posso anotar os pedidos? — Um garçom surgiu e fizemos nossos pedidos  

Fizemos nossos pedidos e enquanto Jonas e Swan voltavam a mergulhar em uma conversa sobre um campeonato da faculdade que eles haviam assistido mais cedo, eu sequer estava sabendo sobre esse evento, então decidi olhar a minha volta. O restaurante era realmente muito bonito, com uma iluminação suave e cores escuras, havia uma mesa cheia com um grupo animado que estava bem alterado agora, um casal a nossa esquerda estava conversando animadamente em sussurros por cima da comida, mais distante de nós, sentado em uma mesa perto de uma das janelas compridas estava o Sr. Arrow e… espera, o que?! 

Virei a cabeça tão rapidamente que meu pescoço doeu e minha visão ficou turva, mas eu realmente não estava me importando, pois, toda a minha atenção estava voltada para o rapaz sentado mais distante, comendo sozinho, com dois guarda-costas de feições familiares logo atrás dele. O que ele estava fazendo comendo sozinho? Por que seu olhar era tão esquisito? Parecia perdido em pensamentos. 

Como se tivesse sentido a minha presença ele ergueu a cabeça e olhou diretamente para mim, desviei o olhar imediatamente e fiquei rígido em meu acento, eu não queria lidar com o humor terrível daquele bastardo mimado. 

— Bem ali está a pessoa de que estamos falando. — Swan indicou com o queixo, eu fingi que não havia ouvido, pois de alguma forma podia sentir o seu olhar. 

— Ele está olhando para cá, será que ouviu a gente falando dele? — Jonas perguntou preocupado. 

— Você o conhece? — Ignorei a pergunta de Jonas e fiz uma para Swan. 

— Sim, já assisti uma palestra dele na faculdade, falava sobre componentes químicos que tem em produtos de beleza que podem prejudicar a saúde, segundo ele a Lotus está livre desses produtos, por isso eles vendem tanto.  

Assenti lentamente apenas para demonstrar que estava prestando atenção, mas minha mente estava bagunçada. O que diabos ele estava fazendo ali? Será que ele estava me seguindo? 

— E se ele estiver me seguindo? — Sussurrei para meus amigos o meu medo. 

— E por que ele seguiria você? — Jonas riu neste momento, como se a ideia fosse bastante engraçada, lhe lancei um olhar mortal e ele explicou ainda rindo — Ele está no comando de uma empresa enorme, por que ele perderia o tempo dele seguindo alguém? Você, em alguma das suas mensagens desta semana, disse que ele é rodeado por guarda-costas, então ele poderia muito bem mandar um deles fazer isso, não é? 

Ele tinha razão e isso não me deixava mais calmo. Certo que isso pode ser apenas um acaso, mas não seria algo forçado demais?  

— Merda. — Jonas sibilou e fingiu analisar o cardápio. 

Não precisei nem perguntar ao meu amigo o porquê dele está soltando um xingamento, o cheiro de perfume caro, acompanhado pelo som de muitos passos foi o bastante para mim, e o Swan ter ido correndo para o banheiro também. Francamente, eu precisava de amigos mais corajosos! 

— Boa noite. — A voz do Sr. Arrow era baixa, formal e sem nenhum sentimento, o que também era estranho quando era direcionado a mim. 

— Boa noite Sr. Arrow. Este e meu amigo Jonas. — Apresentei rapidamente, eles se cumprimentaram com um Wai. Então com os outros aquele riquinho mimado era educado? — Não sabia que gostava da comida daqui — Comentei por educação e eu não queria que o olhar gelado dele ficasse fixo em mim. 

— A comida daqui é deliciosa, mas devo admitir que fiquei muito preocupado com a clientela. — Ele ergueu as sobrancelhas para mim de forma sugestiva. Ah! Ele iria arrumar confusão! 

— Não é um lugar tão caro assim. — Dei de ombros e desviei o olhar dele para um ponto as suas costas. Estava disposto à não cair na dele, mesmo que estivéssemos fora da empresa ele ainda poderia me castigar na segunda-feira. 

— Para se ter bom gosto não precisa ser caro — Ele comentou casualmente —, mas dividir isso com certas pessoas, realmente… 

— O senhor estava em sua mesa sozinho, não estava dividindo nada. — Eu disse segurando o cardápio de plástico e o apertando com força. 

— Cuidado como fala com o mestre. — Sibilo um dos seguranças, o que parecia um buldogue, ele ergueu levemente a paletó para mostrar a arma em seus cos. 

— Acredito que ameaças não são necessárias — Jonas interveio e eu suspirei alívio, mentalmente é claro —, estamos tendo uma noite agradável aqui, peço que se não puderem manter a postura, se afastem desta mesa. 

Achei que Jonas havia conseguido uma grande confusão agora, mas ouvi apenas a risadinha curta e sarcástica do Sr. Arrow antes de ouvir passos se afastando. Murchei na cadeira como uma bola furada. 

— Francamente, o que ele pensa ameaçando as pessoas dessa forma? — Jonas indagou indignado. 

— Agora você pode ver como são as coisas para mim dentro daquela empresa — Reclamei cruzando os braços —, eu realmente não entendo o porquê dele me odiar tanto! 

— Mas podemos descobrir — Swan foi quem falou, ele havia voltado em algum momento e se escondido detrás de um pilar de concreto e agora surgia como um fantasma —, não acho que seja difícil. 

— Mesmo? Como vamos fazer isso? — Indaguei esperançoso, pois se soubesse o motivo do Sr. Arrow me odiar tanto eu poderia simplesmente acabar com tudo isso com um mero pedido de desculpas, claro, se o erro fosse meu. 

— Você não se lembra de ter entregado comida na casa dele ou na empresa? Brigado com ele no trânsito ou algo assim? 

Fiz uma lista mental de todos os meus clientes, geralmente eram as mesmas pessoas, então não era tão difícil, o rosto dele não surgiu em minha memória sobre isso e nem em minhas sete brigas de trânsito. O rosto dele só surgia na noite e no momento em que o impedi de cair, minhas mãos em sua cintura e as suas em meus ombros, nos encarando por um tempo indeterminado que parecia ter sido longo… Não, aquilo não poderia deixar ele furioso, e mesmo naquele momento ele havia me tratado mal. 

— Não consigo me lembrar dele antes, apenas na noite do bar, como falei para vocês no grupo.  

— Nem antes disso? E no colégio? 

Voltei a passar mentalmente todos os meus colegas, mas era difícil lembrar de todos agora, havia alguns rostos que surgiam e minha mente, mas era algo vago demais. Balancei a cabeça negativamente, frustrado. 

— Podemos ver as fotos de turma no Facebook da sua antiga escola, ele é famoso, se ele tiver estudado lá com certeza terá uma foto dele. 

É, aquilo poderia ajudar, mas olhar fotos em rede social demorariam uma eternidade! 

— Pode funcionar checar o meu passado, mas prefiro ir até a escola e perguntar por ele. 

— Então faça isso, o quanto antes desvendar este mistério, melhor será para a sua vida. — Jonas aconselhou. 

Minha antiga escola ficava em Wang Thonglang, um complexo de prédios de três andares com quadra de basquete e futebol. Estar caminhando por aqueles corredores familiares sem uniforme escolar era muito esquisito, assim como aquele mar de rostos desconhecidos que me analisavam atentamente. Eu só precisava encontrar… 

— Você não mudou nada, ainda posso conhecê-lo de longe, Somboonsuchat Virotesuchin. — Olhei assustado para o lado, para um caminho de pedras quadradas que passava por cima de uma grama bem cortada e canteiros de flores.  

— Professora Kuhlabsidaeng. — A cumprimentei respeitosamente. Ela também não havia mudado nada. Era professora de Matemática, baixa de olhos astutos, seus cabelos presos sempre estavam presos em um coque arrumado. — A senhora também não mudou nada. 

A Sra. Kuhlabsidaeng era a minha professora preferida, ela sabia quase tudo sobre mim e também conhecia a minha luta para ajudar com as despesas de casa.  

— O que o faz voltar aqui? — Ela indagou inclinando a cabeça para o lado, curiosa. 

— Preciso saber se uma pessoa estudou comigo nos anos em que estive aqui. 

— Mesmo? Quem?  

Olhei para os lados, havia dois grupinhos parados muito próximos, a professoras os dispensou com um olhar. 

— Venha comigo.  

A seguir pelo caminho que ela havia acabado de vir, eu sabia que ele levaria por um corredor comprido com portas de salas de aula e mais no final a quadra de basquete. A segui, mas em vez de seguirmos completamente pelo corredor ela virou à esquerda e abriu um par de portas brancas e entramos no refeitório aberto. Ali havia poucos alunos, então estava mais silencioso. 

— Pronto, podemos falar com mais tranquilidade. — Ela informou enquanto reduzíamos o passo em direção aos degraus de saída do refeitório, que levava a um pátio com bancos e mesas de concreto, todos à sombra de árvores grandes e antigas — Quem você procura? 

— Arrow Pravatdaw. — Sussurrei, pois eu sentia que proclamar aquele nome poderia invocar o seu dono, e eu não queria isso. 

É normal que não conheçamos nossos professores tão bem, mas eu sabia assim que disse aquele nome um brilho estranho passou pelos olhos da minha antiga professora de Matemática.  

— Bem, eu não lembro de nenhum Arrow Pravatdaw nesta escola. — Ela não foi nada convincente, então pensei logo que com a família que Arrow tinha, provavelmente todos os funcionários eram proibidos de falar sobre eles sem consentimento. 

— Thorn, é você? — Me virei para a voz levemente familiar e meu rosto esquentou. 

— Big! — Exclamei surpreso, isso atraiu olhares. 

Suchart Thaksinkamon havia sido meu colega e também jogados juntos no time de basquete por um ano.  

— Nossa, você não mudou quase nada. — Ele comentou com um sorriso brilhante enquanto me analisava de cima abaixo — Sra. Kuhlabsidaeng, o diretor gostaria de vê-la na sala dele. 

— Certo. Virotesuchin, nos despedimos aqui, deixarei você nas mãos do Sr. Thaksinkamon, certo? — Assenti, pois eu não queria incomodá-la mais — Cuide-se bem. — E ela partiu apressadamente. 

— Nossa, que estranho encontrar você aqui hoje — Comentei analisando Big também. 

Big era um dos três mais bonitos da minha turma, ele era alto, mas agora estava mais forte que antes, seus cabelos também estavam com um corte diferente, mais adulto. Sua beleza havia se acentuado mais. 

— Então, o que faz aqui? — Indaguei quando um silencio constrangedor pairou entre nós. 

— Estava deixando meu irmão mais novo. Ele torceu o pé jogando bola e tive de acompanhá-lo até sua sala de aula. E você? 

Pensei bastante se deveria ou não dizer a ele o motivo da minha visita, mas pensando bem, ele conhecia todo mundo da minha época, talvez se recordasse de Arrow se ele tivesse mesmo estudado naquela escola em nossa época. 

— Posso fazer uma pergunta a você?  

— Claro. — Ele franziu a testa, provavelmente estava achando aquilo muito estranho, eu mesmo acharia. 

— Você sabe se Arrow Pravatdaw estudou conosco?  

Ele ergueu as sobrancelhas e então assentiu lentamente enquanto parecia pensar, meu coração acelerou.  

— Sim, ele era um dos meus melhores amigos na época, mas quando ele foi estudar no exterior acabamos nos afastando muito.  

Eu realmente não sabia o que dizer, era como se meu corpo tivesse sido congelado com suas palavras. Arrow estudou comigo! 

— Ele estudou mesmo conosco? Eu… eu não lembro dele! 

— Bem, você era muito concentrado nos estudos e só falava com as pessoas durante o jogo de basquete, não é? — Assenti lentamente — Lembro que você vivia muito em seu círculo de amigos, ao contrário de mim que tinha de falar com todo mundo porque o primeiro do time. Arrow era o segundo, ele jogou com a gente, como não lembra dele? 

— No nosso time tinha eu, Anuch, você, Mork e Claw. — Eu podia lembrar seus nomes, mas não me recordava dos seus rostos. 

Big riu, minha confusão deveria ser engraçada para ele.  

— Arrow era o Claw — Ele revelou rindo mais com a minha tremenda confusão. — Ele não queria de jeito nenhum que soubessem quem ele era, na época a família evitava postar fotos dele, pois o irmão mais velho dele havia sido sequestrado uma vez, então quando ele entrou na escola ele adotou o apelido de Claw. Apenas eu, que era mais próximo dele, sabia da sua verdadeira identidade. 

Eu conseguia me lembrar vagamente deste nome saindo da minha boca muitas vezes durante o jogo, também em alguns momentos em rodas de amigos, mas seu rosto… Por que era tão confuso? 

— Mas… Por que não lembro dele? 

— Bem, pelo que eu lembre vocês não eram muito próximos, mas por culpa sua. 

Minha?  

— Sim, Arrow fazia o possível para se aproximar de você, no entanto você não parecia perceber nada.  

Fechei meus olhos e tentei me recordar de tudo naqueles dias. Os treinos até tarde, os jogos, as barracas de comida tarde da noite, as risadas, os rostos. O rosto dele surgiu em minha memória imediatamente, como se eu tivesse destrancado uma gaveta de memorias esquecidas. Ele era extremamente bonito, assim como era agora, e como atualmente ele era mais baixo, no entanto, era um dos melhores na quadra de basquete, rápido e ágil.  

Outras lembranças foram surgindo como uma cascata incontrolável: ele entre o grupo de amigos barulhentos, comendo em um restaurante após um treino cansativo, ele ganhando flores de um grupinho de meninas, ele recostado em Big em um dia ensolarado, enquanto ele lia um livro, Big recebia os presentinhos que as pessoas davam, ele sequer parecia notar a admiração das pessoas.  

— Não entendo como não o reconheci — Balancei a cabeça negativamente. 

— Você sempre foi focado demais nos estudos, mais do que nas pessoas a sua volta, mesmo que tivesse amigos, todos sabiam que para você os estudos eram mais importantes, até mesmo o Arrow, que como eu disse, tentava ganhar sua atenção. 

— E por que diabos ele faria isso? Ele era muito popular. 

— Porque ele gostava de você, é claro. 

O que

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