ArrowThorn – Parte I: A Primeira Vista

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Ficha Técnica
Escrito por: David Franklin

A Primeira Vista

P’Jonas e eu estávamos esperando nosso terceiro amigo, Nong Swan, sentados nos degraus de frente ao prédio do seu curso, uma estrutura de dois andares revestida por espelhos. Jonas Channarong estava falando sem parar sobre o trailer que havia acabado de ser lançado na internet de uma série que ele havia participado, alguns minutos de tela o estavam deixando bastante animado. 

Não ache que eu não estava feliz pelo meu amigo, eu estava e muito, mas naquele momento, enquanto assistia o dia indo embora, deixando o céu rosa e laranja, sentindo a brisa morna que vinha a nossa esquerda, trazendo o cheiro de grama molhada, meus pensamentos estavam distantes. A verdade é que eu estava com muito receio sobre o meu estágio, que iria começar no dia seguinte.  

Meu nome é Thorn Virotesuchin, e estou finalizando o curso de Administração, e graças as minhas excelentes notas eu havia conseguido um estágio na Lotus ArPrav Beautiful, a responsável pela fabricação dos melhores cosméticos da Tailândia. Meu cargo seria de secretário de Earth Pravatdaw, e pela minha pesquisa na internet, sabia que ele era um dos donos da Lotus ArPray Beautiful. Como eu, um estudante sem experiencia, havia conseguido isso? Não sei, apenas compareci a entrevista marcada pelo meu orientador de estágio e pronto.  

— Mas é claro que você não está prestando atenção — Aparentemente Jonas havia percebido isso só agora, ele parou de falar e me olhou atentamente. Ele tinha um ótimo olhar avaliativo que parecia estar lendo sua alma — O que aconteceu? 

Conhecia meus dois melhores amigos há muitos anos, havíamos passado por muitas situações complicadas e divertidas juntos, mas eu não queria revelar que estava com medo do estágio, essa era uma oportunidade para poucos e eu não queria parecer ingrato. Mas ele continuava me olhando atentamente e eu sabia o quão insistente ele podia ser (A ponto de irritar até uma estátua). 

— Tudo bem, vou contar, mas não ache que estou reclamando. — E eu contei e ele escutou em silencio, quando parei de falar, pondo para fora todos os meus receios, a noite havia chegado completamente e éramos apenas os dois ali sentados — É isso que está acontecendo. 

— É natural sentir receio de falhar, afinal de contas é seu primeiro emprego em uma empresa tão grande assim, não está mais fazendo entregas de restaurantes, agora vai auxiliar os donos da Lotus ArPray, mas você é esforçado e o melhor da turma, certamente vai se sair muito bem. 

De fato, não era o meu primeiro emprego, durante os estudos eu havia trabalhado como entregador de aplicativo, conhecia uma ponta a outra de Bangkok, havia feito isso para pagar os estudos e ajudar com as despesas de casa, mas havia parado a dois dias atrás para iniciar o estágio que exigia exclusividade total para assuntos da empresa

— Desculpem a demora! — Swan Siriphon veio correndo, nos cumprimentou com um wai rápido e desajeitado, pois ainda estava enfiando seus livros dentro da mochila com pressa, sua turma vinha logo atrás, conversando e cortando o silencio que fazia nos degraus. — Está aula extra vai me ajudar bastante, mas não achava que seria tantas horas. 

— Ninguém mandou você escolher medicina, certo? — Jonas ergueu as sobrancelhas enquanto ria. 

— Estou fazendo porque gosto. — Swan rebateu enquanto fechava o ziper da mochila com dificuldade, Jonas o socorreu segurando a mochila para ele.  

— Vamos sair, precisamos comemorar o estágio de Thorn. 

—Não precisa. — Eu disse enquanto seguia os dois degraus abaixo, mas eles pareciam não me ouvir, estavam decidindo entre uma boate, restaurante ou os dois.  

Eles haviam decidido sem mim, antes mesmo de chegarmos ao carro de Jonas, que iriamos para um bar em Khao San Road, que pertencia ao amigo de Swan, Jonas pareceu relutante no começo e não parava de fazer perguntas sobre esse tal amigo. Não era novidade para nós dois que Swan gostava de homens, ele até havia terminado um relacionamento recente com um colega de turma, o que o deixou bem abalado por alguns dias, mas ele parecia melhor agora. Secretamente eu e Jonas havíamos até feito medo ao ex-namorado de nosso amigo, queríamos apenas garantir que ele não chegaria mais perto de Swan. 

— Ele é muito legal e reclama muito que eu não vou até lá com frequência! — Swan respondeu impaciente quando já estávamos dentro do carro e saindo dos terrenos da universidade. 

Como eu havia dito anteriormente, éramos grandes amigos há um bom tempo, mas eu sentia que nos últimos dias, desde o final do relacionamento recente de Swan, ele e Jonas estavam mais próximos, mesmo que estivessem brigando por qualquer coisa ultimamente. Eu não havia comentado nada, mas sabia que a blusa vermelha que vi jogada no cesto de roupa suja no banheiro do dormitório de Jonas era de Swan, tinha a mesma mancha preta e pequena na barra de quando ele resolveu iniciar um curso de pintura a óleo que ele não levou adiante. Por que ela estava ali? Eu não sei! Mas estava começando a reparar nos dois. 

— Como foi a sua aula? — Jonas havia perguntado enquanto entravamos no trânsito caótico. 

No banco detrás eu resolvi encostar minha cabeça para relaxar, sabia que demoraria para chegarmos à Khao San Road e que aqueles dois iriam mergulhar em uma conversa sobre medicina que para mim era totalmente sem sentido. Jonas havia feito alguns anos de medicina até decidir que não era isso o que ele queria para si, então entrou em Administração um ano antes de mim. No começo havia sido bem intimidante ter toda a tensão de um sênior voltada para mim, mas ele havia sido designado, assim como os outros seniores, para ajudar os novatos. 

Ele conheceu Swan antes de mim, quando esteve visitando o prédio do seu antigo curso, para falar com seus antigos colegas, então P’ Arth apresentou o seu protegido daquele ano, o próprio Swan, ambos ficaram amigos no ato, então Jonas me apresentou ao seu novo amigo.  

Enquanto eles conversavam e o carro parava aqui e ali em um sinal de trânsito, eu fiquei repassando em minha cabeça toda a minha entrevista na Lotus ArPrav Beautiful e como eu poderia servir para aquele lugar. Como eu iria auxiliar um dos donos da empresa? Quem em sã consciência me colocaria em tal situação? Só de pensar neste desafio eu senti um frio intenso no estomago que me fez gemer de frustração. 

— O que você tem? — Swan indagou do banco do passageiro, a testa franzida. Ele não estava comigo e Jonas nos degraus, então não sabia do meu receio — Está doente? 

Jonas me fez o favor de explicar tudo enquanto chegávamos perto de nosso destino, o que significava que em breve teríamos de sair do carro e seguir a pé pela extensa rua movimentada.  

— Bobagem, você vai se sair muito bem — Swan sentenciou com firmeza assim que Jonas parou de falar — Você apenas cobra muito de si mesmo, mas você se saíra super bem, eu acredito nisso. 

Eu estava realmente agradecido pelas palavras, mas isso só me deixava pensando que Swan era outra pessoa que tinha altas expectativas sobre mim e eu não queria desapontá-lo. Mas que droga! 

Estacionamos à uma boa distância, pois era o único local disponível e tivemos de seguir a pé, mas logo o barulho e as luzes de Khao San Roand surgiram, dos dois lados havia restaurantes, bares, casas de banho, estúdios de tatuagem e baladas, no meio da rua havia uma densa multidão animada de tailandeses e turistas animados. Swan estava caminhando na frente, nos guiando até o bar de seu amigo.  

Um grupinho de garotas passou por nós, mas apenas eu acenei para elas, pois Jonas parecia mais preocupado em não esbarrar em ninguém e Swan olhava para cima, tentando localizar a placa do bar. Creio que já faria um ano que eu não namorava, estava tão focado nos estudos que havia me esquecido disso e ficado apenas com algumas pessoas, naquela noite ficar com alguém certamente iria me ajudar a relaxar. 

— É aqui! — Swan gritou animado e apontando para cima. 

A placa era preta com uma placa de vidro na frente, o nome Calisto estava escrito em letras douradas e ladeado por serpentes de olhos brilhantes. A faixada como um todo era bem chique, com vasos grandes e plantas, um segurança vestido de preto diante das portas duplas de madeira pintadas de vermelho que estavam totalmente abertas, revelando uma cortina logo em seguida. 

— Venham, vamos entrar — Swan nos convidou todo animado e nós o seguimos. 

— Você se divertiu demais, chegou a hora de assumir um lugar na Lotus ArPrav Beautiful. — Numnarac Pravatdaw era uma mulher de feições delicadas, mas seus olhos eram duros quando precisos, ela podia ser baixa, mas sua presença certamente era gigantesca com a postura reta, a educação refinada, e as joias e os vestidos caros, mas minha mãe parecia não saber o que estava falando, com todo o respeito

Earth Pravatdaw era meu irmão mais novo, um rapaz bonito, com uma inteligência limitada e era por isso que achava que minha mãe não sabia o que estava falando. Earth não era bom em quase nada, havia desistido de cinco cursos na faculdade, passou dois anos após o ensino médio em uma viagem que custou bem caro para a família. Claro que ele tinha todo o direito de ter um cargo na Lotus ArPrav Beautiful, mas eu não sabia o que ele realmente poderia fazer.  

Com as palavras dela eu parei com a colher a meio caminho da boca e olhei da minha mãe para meu irmão, que estava sentado de frente para mim do outro lado da mesa de doze acentos. Ele parecia tão surpreso quanto eu, dentro daquela blusa polo azul-bebê ridiculamente apertada, tudo para exibir seus braços fortes.  

— Não pode estar falando sério. — Deixei escapar enquanto baixava a colher, a fome havia desaparecido com um piscar de olhos. 

Minha mãe virou a cabeça lentamente para mim, ainda exibia aquela expressão determinada. 

— Estou falando muito sério, Arrow. Conversei com seu pai hoje sobre isso, passamos horas discutindo sobre o assunto. 

Olhei para meu pai, Yuchimlin, que estava sentado perto da minha mãe, ele parecia muito concentrado em sua refeição, como se não estivesse ouvindo a conversa, o que era impossível.  

— Mãe, estou conseguindo lidar com tudo sozinho. — Argumentei sem perder a paciência, meus avos haviam deixado bem claro, antes de morrerem, que minha mãe sempre deveria estar à frente de tudo, mesmo que todos os outros filhos tivessem partes iguais na empresa, ela poderia me tirar do meu cargo atual a qualquer momento. 

— Eu sei disso, desde a sua entrada a empresa tem lucrado bastante, estamos prestes a abrir mais uma loja, estou orgulhosa, mas o seu irmão faz parte desta empresa da mesma forma que faz parte da família, ele precisa aproveitar esse tempo ocioso para fazer algo produtivo pela família. 

— O que eu vou fazer nessa empresa? — Earth indagou, parecia confuso e pálido. Ele estava aterrorizado. 

— Será o gerente de marketing, o nosso pediu demissão hoje de manhã, precisamos de alguém urgentemente, achamos que você poderia preencher a vaga. 

— Mãe, ele precisaria ao menos ter cursado a faculdade para isso. — Falei sem parecer acusador, eu não queria meu irmão patético trabalhando comigo. 

Quando assumi como gerente sênior tive um grande trabalho para reorganizar todo o processo produtivo e administrativo da empresa que estavam bastante obsoletos, havia até participado da criação de uma linha completa de produtos novos que nos permitiram fechar contratos com empresas de fora do país. Não vou deixar meu irmão estragar tudo

— Você estará lá para ajudá-lo.  

— Mãe, eu tenho meus próprios compromissos, não posso parar tudo para ajudar Earth a se ajustar. 

— Você devia dizer logo que não quer o seu irmão por perto — Ela estreitou os olhos. 

— Eu não quero ele me importunando. — Falei rapidamente. 

— Infelizmente não é você que decide isso — Ela ergueu as sobrancelhas de forma desafiadora — Sou eu que tomo a decisão e você vai ajudar o seu irmão na empresa. 

Não! — Eu havia percebido tarde demais que estava em pé, minha cadeira havia produzido um barulho alto, assim como minha voz. 

Os empregados e guarda-costas a nossa volta olharam abismados para mim, meu pai havia erguido a cabeça e depois voltou a prestar atenção em seu jantar, Earth olhava de mim para a minha mãe com um interesse avido, ele sabia que eu havia me dado muito mal agora. Minha mãe permaneceu com a mesma expressão determinada. 

— Saía — Ela falou após um minuto de silencio constrangedor, abri a boca para pedir desculpas, mas ela não deu chance — Eu disse para sair daqui agora

Assenti lentamente e me retirei a passos largos. Meu coração parecia prestes a sair pela boca enquanto me afastava da sala de jantar, meu guarda-costas, Arthit Suchartjai, veio atrás de mim apressadamente. Eu queria ficar sozinho, e Arthit parecia saber que eu jamais me sentiria sozinho dentro daquela enorme casa, por isso ele estava me seguindo e podia ouvi-lo sussurrando algo, certamente estava falando com os outros guarda-costas. Dois seguranças parados nas laterais das portas duplas de entrada as abriram para mim e encarei a noite, o vento frio batendo em meu rosto, o jardim da Grande Casa estava tranquilo, banhado pela luz fraca do luar, seguranças andando de um lado para o outro, vigiando os muros altos em torno da casa em Alto Sukhumvit.  

Arthit passou por mim e parou aos pés dos degraus de pedra da entrada da casa, estava falando no celular corporativo, todos os guarda-costas deviam ter um para manter as interações em linha segura.  

Peguei meu celular pessoal e liguei para Sunan Pravatdaw, meu primo e um dos meus melhores amigos: 

— Me encontre agora no Calisto. — Ordenei assim que ele atendeu a chamada. 

— O que aconteceu? — Ouvi ele indagar preocupado. 

— Conto quando estivermos juntos. Avise Big também. — E desliguei. 

Calisto não era um bar comum, e eu constatei isso assim que passamos pelas cortinas grossas de veludo. O espaço era amplo, com paredes pintadas de preto dividindo espaço com espelhos enormes, havia grandes vasos iluminados por dentro, o bar era comprido com cinco barmans bem-vestidos, com uma enorme estante atrás deles mostrando todos os tipos de bebidas, no final do espaço havia um pequeno palco com um DJ e um grupinho a frente dançando sem parar. Nas mesinhas redondas de vidro havia grupos bêbados, amigos conversando e gente chorando. 

O amigo de Swan, Book Siumeag, era um homem animado e estiloso, ele recebeu Swan de braços abertos e fez o mesmo conosco quando fomos apresentados. Ele estava elegante em um terno vermelho claro, nos guiou para o bar onde nos sentamos nos bacos altos de couro vermelho e ele mandou um barman nos servir uma Blue Light. 

— É a melhor da casa — Ele nos informou animado sentado ao lado de Swan. Percebi pelo canto de olho a expressão fechada de Jonas — Então Swan, faz tanto tempo que não te vejo por aqui. 

— A faculdade tem consumido muito o meu tempo. — Swan explicou, suas mãos estavam estendidas no balcão e ele estava apertando os dedos com força, eu conhecia meu amigo bem o bastante para saber que ele estava nervoso, o que significava que aquele homem mexia com seus sentimentos de alguma coisa. 

Fiquei indeciso se devia falar algo para Jonas, mas eu não sabia direito o que estava acontecendo e não queria acabar falando bobagem, então decidi assistir todos os movimentos do barman, ele era realmente muito bom e nos serviu em taças uma bebida azul escura. Ela era doce e muito forte e em poucos minutos já havíamos eleito ela como a nossa favorita e pedimos mais algumas rodadas, que sinceramente eu não lembro quantas. 

Jonas havia se soltado após o álcool atingir sua cabeça, ele dançou e bebeu, Swan ainda estava conversando com Book, que parecia disposto a ignorar todos os outros clientes apenas para dar atenção ao meu amigo. De repente Jonas estavam dançando com uma garota desconhecida e isso significava que o alto controle havia ido para o espaço. Permaneci sentado na minha, algumas garotas apareceram para conversar, mas fiquei apenas com uma no banheiro de azulejo preto do Calisto, ela era muito boa e quando terminamos ela apenas me deu um sorriso e desapareceu pelo restante da noite. 

— Onde diabos você estava? — Swan, agora sozinho, me abordou quando estava saindo do banheiro, pronto para ir ao bar e pedir mais outra Blue Light.  

— No banheiro. — Me limitei a informar isso, Swan não gostava da minha rara vida noturna, ele já sabia de alguns momentos e havia me repreendido em todos eles, mas naquela noite eu só precisava relaxar. 

— Vamos, precisamos encontrar Jonas, ele sumiu. 

Mais cedo Jonas estava dançando com uma garota, certamente ele estava com ela em algum lugar escuro ou até longe do bar, mas Swan parecia não ter percebido isso e ele estava visivelmente preocupado, esticava o pescoço para ver por cima da multidão, mas ele era mais baixo que eu e até no meu tamanho era difícil localizar alguém, o Calisto estava ficando cada vez mais lotado. 

— Ele pode estar com alguém.  

— Não, claro que não. 

Sim, aquilo me deixou bastante confuso. Porque Swan parecia mais preocupado? Eu podia ser lerdo as vezes, mas sabia que algo estava acontecendo entre ele e Jonas pelas minhas costas, e eles sequer pareciam se importar em disfarçar agora. Swan me puxou pelo pulso e tive de segui-lo para cada cantinho do lugar, o que foi irritante e estava começando a me deixar sóbrio.  

— Vamos olhar lá fora. 

— Chega! — Puxei meu pulso para se livrar do seu aperto e ele me olhou assustado. Era raro eu perder a paciência com Swan, ele era sempre tranquilo e inteligente, sempre sabendo o que falar, mas naquele momento ele parecia fora de si — O que está acontecendo com vocês dois? 

Ele abriu a boca, como se estivesse querendo falar, mas não encontrando as palavras. Fiquei de braços cruzados e o encarando, esperando a explicação ou a mentira. A gente estava perto da saída, as cortinas de veludo balançavam com o vento e eu estava recebendo um pouco da brisa fria.  

Swan abriu a boca novamente, como se estivesse acabado de pensar o que diria quando as cortinas foram abertas violentamente e duas colunas de homens de terno entraram, dois mantendo as cortinas abertas. Puxei Swan para trás de mim, se não ele acabaria sendo atingido por um daqueles grandalhões idiotas. Estava na cara que eles eram seguranças, então estiquei o pescoço, assim como todos no Calisto, para ver quem eles estavam escoltando. 

Um rapaz jovem de feições rebeldes e roupas de aspecto supercaro entrou pelo corredor formado pelos seus homens. Ele não parecia perceber a presença das outras pessoas, como se aquilo fosse comum (Mas que idiota, não é?). Book surgiu dentre a multidão assustada, ele estava sorrindo e recebendo o rapaz assim como nos recebeu. 

— Sejam bem-vindo de volta! — Book exclamou tão animado que sua voz conseguiu sair mais alta que a música — A sala VIP está esperando o senhor. 

— Obrigado, estou esperando dois convidados. 

— Tudo bem, venha comigo, por favor. 

O rapaz riquinho assentiu firmemente, parecia um robô idiota, e seguiu Book por uma escadaria em caracol de ferro preto, seus homens indo logo atrás, eles estavam subindo paras salas VIPS, era possível velas logo acima de nós, suas varandas de ferro trabalhado se projetando pelas paredes laterais. Se o salão comum era tão chique assim, imagine as salas VIPS? Deviam ser caríssimas. 

— Você está bem? — Perguntou a Swan que franzia a testa para a varanda acima cujas luzes haviam sido acessas. 

— Sim, vamos sair daqui. 

— Quem diabos era aquele riquinho? Como ele pode chegar assim nos lugares? — Exclamei indignado enquanto seguia Swan para fora do bar, estava tão impressionado que havia até me esquecido do que estávamos fazendo antes. 

— Não sei, nunca o vi na vida — Swan respondeu enquanto olhava a nossa volta rapidamente, ele ainda estava em busca de Jonas — Ah! Ali está ele! 

Swan apontou para a nossa esquerda, Jonas estava vindo em nossa direção, seus passos estavam vacilantes. Ele estava mais bêbado doque qualquer um de nós, ele sorriu quando se aproximou o bastante, Swan precisou segurou para que não esbarrasse no pessoal que entrava e saía do Calisto.  

— Onde você estava? — Jonas apenas franziu a testa para ele e então sorriu — Vamos embora. 

— Não! — Jonas exclamou tão alto que chamou atenção das pessoas em volta — Hoje é o dia de comemorar o estágio do Thorn! — Fingi que não sabia quem era esse Thorn — Vamos entrar e comemorar! — E antes que qualquer um de nós pudesse impedi-lo ele entrou pelas portas do Calisto. 

— Mas que merda! — Sibilei enquanto seguia Swan de volta para dentro. 

Jonas nos deu mais trabalho lá dentro, ele parecia fora de si e também disposto a ignorar Swan a todo custo, a noite que era para ser uma comemoração voltada a mim acabou se tornando uma operação para cuidar de Jonas, mesmo que eu não estivesse tão a fim de comemorar esse estágio, também não estava disposto a passar minha noite cuidado do meu amigo bêbado e amargurado por algum motivo. 

— Mas isso não é uma coisa boa? — Sunan indagou assim que terminei de explicar o que havia acontecido na Grande Casa.  

Sunan era um rapaz da minha altura, seus cabelos castanho-claros eram sempre penteados em um topete e ele havia aderido com força a moda de estampas, seus óculos de grau de aros redondos combinavam muito bem com ele.  

— Como ter meu irmão por perto pode ser uma coisa boa? — Indaguei de forma acida. Eu estava irritado com tudo isso, era injusto o que minha mãe estava fazendo comigo, principalmente depois de todo o esforço que empreguei naquela empresa! 

— De início realmente será difícil, mas você pode ajudá-lo a se acostumar e então não precisará ficar tão carregado de trabalho. — A resposta partiu do meu outro amigo, Big Kongthon, um rapaz alto e forte de cabelos pintados de branco, usava um óculo cujas lentes vermelhas tinham formato de coração, suas roupas pareciam vindas de um desfile, bastante complexas. 

— Earth não tem capacidade para administrar nada — Balancei a cabeça negativamente —, ele não se interesse por nenhum tipo de trabalho, ele mesmo não parecia satisfeito, mas aposto que a essa altura minha mãe já o convenceu. 

Levantei-me impaciente do sofá de veludo vermelho e seguir até o balaústre de ferro preto e olhei para baixo, a massa colorida de pessoas. Apertei o ferro com força, mesmo que isso pudesse machucar minhas mãos nos cantos, não importava, talvez isso ajuda-se a aplacar a raiva. 

— Arrow, só vamos saber se ele tem uma chance de mudança se uma chance dessas for dada a ele. Você sabia que um dia ele iria ter de entrar para os negócios da família. — Big havia se levado também e estava pousando sua mão em meu ombro. 

Não gosto quando as pessoas me tocam, havia me acostumado desde cedo a sempre ficar longe das outras pessoas, sempre cercado por guarda-costas que afastam qualquer um, mas Big e Sunan eram meus amigos desde criança, então era acostumado com a proximidade deles.  

— Pode ser, mas iniciar como gerente? — Balancei a cabeça sem querer absorver a ideia.  

— Não acho que sua mãe vai mudar de ideia agora — Sunan falou ao se aproximar de mim do outro lado — Deixe que ela perceba sozinha como Earth não é bom para negócios. 

— Mas o nosso dinheiro está em risco com isso.  

— Eu duvido que ele dure mais do que um mês no cargo. — Sunan deu de ombros e riu. 

— Tudo bem — Suspirei derrotado, aparentemente não havia outra forma de sair desta situação — Vou pegar bebidas para nós. 

— Não basta pedir para entregarem aqui? — Big apontou para um telefone vermelho ao lado do sofá, sua expressão estava confusa agora. 

— Sim, mas eu mesmo quero fazer isso, preciso fazer algo antes que eu fique maluco. — Resmunguei me afastando deles e fazendo sinal com a mão para os guarda-costas se afastarem da escada. 

Swan estava no banheiro ajudando Jonas, que estava colocando toda a bebida para fora, ajoelhado diante do vaso sanitário. Aqueles dois certamente precisavam de um momento sozinhos, por isso fiquei sentado no bar, pedi outra taça de Blue Light, mas não consegui beber tudo, parte do conteúdo azul ainda estava brilhando na luz quente acima de mim. Muitas pessoas haviam ocupado os bancos, alguns grupos esperavam mesas vagas. De vez enquanto eu olhava a porta do banheiro, na esperança de que meus amigos saíssem dali e pudéssemos ir embora, eu precisaria acordar bem cedo no dia seguinte.  

Calisto estava começando a ficar muito barulhento e quente, decidi que era melhor esperar Jonas e Swan do lado de fora, onde poderia encontrar alguma coisa para comer enquanto eles estavam no banheiro. Paguei pela bebida e segui para fora, com grande esforço, pois havia mais pessoas entrando do que saindo e era difícil lidar com uma multidão bêbada. Estava na metade do caminho quando alguém surgiu tão de repente a minha esquerda que me virei por reflexo e segurei a pessoa que parecia prestes a cair do último degrau da escada que levava as salas VIPS. 

Nos primeiros segundos de surpresa achei que fosse um dos guarda-costas daquele riquinho que entrou mais cedo causando uma grande cena, mas quando finalmente preste atenção percebi que estava segurando o próprio riquinho pela cintura, suas mãos apoiadas em meus ombros.   

Talvez fosse pelo susto ou o medo dele cair, continuei com as mãos em sua cintura e podia sentir seus dedos apertando meus ombros, seu rosto estava muito pálido, assim como eu, ele devia ter levado um susto. Ficamos algum tempo, que poderia ter sido minutos ou segundos, eu realmente não sei dizer, nos encarando, sem piscar.  

— Mestre Arrow! — Um dos guarda-costas surgiu, descendo a escada de forma desajeitada — Solte ele! — Ordenou enquanto apontava um dedo para mim. 

O riquinho, chamado Arrow se afastou de mim tão rapidamente que parecia ter levado um choque com meu toque. Ele abriu a boca, achei que realmente fosse me agradecer por ter impedido sua queda, mas o que ele disse foi: 

Saía da minha frente! — E passou por mim com o seu guarda-costas me lançando um olhar feio, como um cão raivoso. 

Mas que pedacinho de merda! — Resmunguei enquanto saía daquele lugar lotado que havia drenado o restante da minha paciência. 

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